Verdade seja dita: estou encarando meu computador, questionando como voltar a escrever depois de meses ausente.
Passei os últimos meses completamente envolvida com entregas de projetos, trabalho, prazos e tudo aquilo que parece urgente quando estamos no meio de um semestre corrido. E parece que todas as tarefas e hábitos que eu estava tentando construir antes da correria do fim do semestre acabaram se perdendo.
Quando finalmente entreguei tudo o que precisava dentro do prazo e pude voltar a respirar, imaginei que seria simples voltar à rotina. Na minha cabeça, bastava abrir a agenda, reorganizar os horários e começar novamente. Mas, na prática, não foi bem assim...
Durante todo o mês de agosto, tentei voltar à rotina e parecia que todos os dias davam errado: Um compromisso aparecia. Uma tarefa demorava mais do que o esperado. Eu acordava mais tarde. Ficava cansada. Surgia algum imprevisto. E aquela tarefa que eu tinha planejado fazer naquele dia acabava sendo empurrada para o seguinte. E o amanhã virava depois de amanhã. Quando percebi, tinha passado um mês inteiro tentando voltar para uma rotina que, na verdade, já não existia mais da mesma maneira.
Eu continuava insistindo em encaixar uma rotina antiga em uma realidade diferente. Então decidi dar um passo para trás e olhar para o todo.
Entender quem sou e o que quero
Como faço aniversário em setembro, gosto de aproveitar as últimas semanas do meu ano pessoal para olhar para o período que passou. É quase como uma retrospectiva para entender o que aconteceu, o que mudou, o que aprendi, o que gostaria de continuar fazendo e o que talvez seja melhor deixar para trás. É uma reflexão sobre o passado para conseguir entender o que gostaria de fazer e vivenciar nos próximos doze meses, mas também para pensar em quem eu gostaria de ser nesse novo ano.
Dessa vez, essa reflexão foi especialmente importante porque eu estava justamente tentando reorganizar minha rotina. Antes de decidir quais hábitos queria desenvolver ou como iria dividir meu tempo, precisava entender por que eu queria fazer tudo isso. Com essa reflexão realizada, pude colocar no papel o que buscava para o meu novo ano.
Dividi minhas reflexões em diferentes áreas da vida: saúde física; saúde mental e emocional; espiritualidade; relacionamentos; financeiro; estudos; vida profissional; hobbies; lazer. Para cada uma delas, comecei a entender quais eram minhas metas para o ano e qual seria o possível caminho de rotina e hábitos que eu precisaria construir para chegar onde queria.
Depois de escrever todas essas respostas, criei meu vision board, pois queria ter uma representação mais visual das referências, ideias e sensações que estavam aparecendo no papel e conseguir visualizar melhor aquilo que imagino para esse novo ciclo.
Mais do que uma coleção de imagens bonitas, ele acabou funcionando como uma forma de transformar algumas ideias abstratas em algo que consigo enxergar.
Como estou me organizando
Depois de entender melhor o que eu queria para esse novo ano, chegou a hora da parte que provavelmente mais combina com a virginiana dentro de mim: organizar tudo.
Durante muitos anos, gostei de experimentar ferramentas de organização e testar, anualmente, o que mais se encaixa na minha vida naquele momento. Já experimentei várias ferramentas, tanto digitais quanto analógicas. Já tentei concentrar tudo em um único lugar e também já tive sistemas completamente diferentes entre si.
Dessa vez, porém, decidi não experimentar algo completamente novo e nem tentar unificar tudo em uma única ferramenta. Aprendi que cada ferramenta pode ter uma funcionalidade diferente e que não preciso escolher apenas uma. Então, escolhi três ferramentas digitais que se complementam.
Notion: meu grande caderno digital
Primeiro, abri meu Notion e comecei a reunir todas as informações que estavam espalhadas. Entendi quais eram os projetos que iria seguir e organizei cada um deles em páginas próprias, desenvolvendo dentro delas tudo o que fosse necessário para me ajudar a acompanhar o projeto, monitorar seu andamento e registrar informações importantes.
Para mim, o Notion funciona como um grande caderno digital. É onde ficam meus projetos, anotações, checklists, documentos e todas aquelas informações que quero guardar e consultar posteriormente. Não uso o Notion para monitorar meus hábitos ou organizar minhas tarefas diariamente. Ele funciona muito mais como um espaço para armazenar, estruturar e arquivar tudo aquilo que preciso para os meus projetos e para a minha vida.
Agenda digital: compromissos e eventos
Depois, abri minha agenda digital. Aqui, o objetivo é bem mais simples: coloquei todos os compromissos e eventos que já estão definidos, com suas respectivas datas e horários. Reuniões, eventos, consultas, compromissos e tudo aquilo que ocupa um horário específico do meu dia vai para a agenda.
Gosto dessa separação porque a agenda me mostra onde meu tempo já está comprometido. Em vez de transformar a agenda em uma enorme lista de tarefas, deixo que ela cumpra sua principal função: mostrar meus compromissos e facilitar a visualização de como meus dias e semanas estão ocupados.
Planner digital: onde minha rotina se encontra
E, por fim, existe uma ferramenta que eu já sabia que queria continuar usando: um planner. Eu amo ter um espaço para olhar para a minha vida de uma maneira mais ampla, passando pela visão mensal, semanal e diária.
O problema é que, para mim, o planner no papel deixou de funcionar tão bem. Como gosto de carregar minhas ferramentas comigo e ter acesso a elas durante o dia, o planner físico acabava sendo pouco prático para a minha rotina e dificultava a locomoção. Foi aí que decidi criar meu próprio planner digital.
A ideia era ter a experiência de planejamento que gosto, mas com a praticidade de conseguir acessar tudo pelo celular. E organizei o planner pensando justamente nessa conexão entre as diferentes escalas da rotina.
Planejamento mensal: coloquei as metas e tarefas que preciso realizar durante aquele mês, mas que ainda não possuem uma data específica. É uma forma de reunir aquilo que precisa acontecer sem precisar decidir imediatamente em qual dia cada tarefa será feita.
Planejamento semanal: tenho uma visualização mais específica de tudo o que preciso fazer e, principalmente, quais são as minhas prioridades naquele período. Isso me ajuda a sair da visão mais ampla do mês e começar a pensar no que realmente cabe nos próximos dias. Também consigo observar meus compromissos e tarefas com mais clareza, evitando planejar uma semana impossível de cumprir.
Planejamento diário: concentrei tudo aquilo que quero acompanhar no meu dia a dia, como os compromissos e tarefas do dia; meus hábitos, que funcionam como um tracker; espaço para organizar minhas refeições; registrar minhas gratidões do dia; acompanhar meu humor e deixar um espaço aberto para anotações.
Rotina não é uma coisa que você monta uma vez e nunca mais precisa mexer. Ela muda conforme a vida muda. E talvez voltar à rotina não seja recuperar exatamente aquilo que funcionava antes. Talvez seja olhar para o momento atual e perguntar: o que faz sentido para mim agora?