Divinos Rivais é uma carta de amor às palavras

A duologia de Rebecca Ross surpreende por sua escrita poética e pela maturidade emocional de seus personagens, mas pede que o leitor chegue sem expectativas equivocadas.


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Atualmente, se buscarmos nas redes sociais por romantasia, encontraremos uma lista de títulos famosos e, entre eles, a duologia Divinos Rivais, de Rebecca Ross, publicada no Brasil pela Alt, inclusive em uma belíssima edição em capa dura, vale destacar.
A obra é amplamente divulgada como uma romantasia com a trope enemies to lovers (inimigos a amantes) e, quando comecei a leitura, imaginei que encontraria a mesma estrutura narrativa de outros títulos do gênero que li nos últimos tempos. Mas tive uma surpresa: o livro é muito diferente do que eu esperava. E é importante dizer isso logo de início, porque quem chega buscando uma experiência parecida com Corte de Espinhos e Rosas ou Quarta Asa pode se decepcionar. A forma como a duologia tem sido divulgada não corresponde, necessariamente, à experiência que ela entrega.
Já nas primeiras páginas, percebi que Divinos Rivais seguiria por um caminho diferente do que eu imaginava e tornou-se uma leitura de que eu precisava naquele momento.
Enquanto isso, espero que você encontre seu lugar, onde quer que esteja. Mesmo no silêncio, espero que você encontre as palavras que precisa compartilhar.
Preciso ser honesta: tirando o elemento das máquinas de escrever, Divinos Rivais não precisava dos aspectos fantásticos para ser uma ótima história. Essa foi, para mim, uma das poucas decepções da leitura. A fantasia existe, mas parece subaproveitada; há um potencial que o livro levanta sem desenvolver plenamente, como se o cenário fantástico fosse mais uma moldura do que uma parte orgânica da narrativa. Não chega a comprometer a experiência, mas deixa uma sensação de oportunidade perdida.
E, se você está esperando muito da trope enemies to lovers, prepare-se: a fase de “inimigos” dura bem menos do que o esperado. Esses dois pontos são importantes para alinhar expectativas antes de começar a leitura.
Adoro as palavras que escrevo até logo perceber o quanto as odeio, como se estivesse destinado a estar sempre em guerra comigo mesmo.
Divinos Rivais é, antes de tudo, uma carta de amor à escrita. Os protagonistas são jornalistas que se comunicam por cartas; a narrativa é pontuada por trechos de rara beleza poética; e há uma atenção cuidadosa à linguagem.
O livro celebra o ato de escrever: a escolha de cada palavra, o peso de uma frase bem construída, a intimidade que se cria entre duas pessoas que se revelam por meio do texto. Para quem ama ler e escrever, essa dimensão da obra é um verdadeiro presente.
Estou começando a amá-lo, de duas maneiras diferentes. Cara a cara e palavra por palavra.
O romance entre os protagonistas é um dos pontos mais altos da duologia. O que mais me surpreendeu foi a maturidade com que Rebecca Ross o conduz. Quando os personagens percebem que se amam, não há grandes confusões internas, negações intermináveis ou desentendimentos artificialmente prolongados apenas para criar tensão. Eles reconhecem o que sentem e lidam com isso de forma adulta e honesta, o que, curiosamente, não elimina a tensão narrativa, apenas a desloca. O que nos faz torcer pelo casal não é a incerteza sobre seus sentimentos, mas a trama maior que os envolve: os obstáculos externos, as escolhas que precisam ser feitas, as consequências que se acumulam ao longo do caminho.

O livro tem ritmo próprio, sabe o que quer dizer e diz tudo com cuidado.
E você, já leu Divinos Rivais? O que achou da proposta da duologia?

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