Em julho de 2016 estreava Stranger Things, uma série ambientada nos anos 80 em uma cidade aparentemente pacata, até que um menino desaparece enquanto voltava para casa depois de jogar D&D com seus melhores amigos. O que parecia apenas uma investigação em um lugar onde “nunca acontecia nada” nos apresentou um mundo completamente novo, com monstros, crianças com poderes e mistérios envolvendo o Mundo Invertido.
Quem diria que uma série com crianças e monstros se tornaria uma das maiores séries dessa geração?
Atenção: essa postagem terá spoilers sobre a quinta temporada de Stranger Things, inclusive sobre o último episódio.
Durante cinco temporadas, acompanhamos as descobertas das crianças, os desafios dos adolescentes entrando na fase adulta e os adultos lidando com maternidade e paternidade em circunstâncias nada convencionais. Tudo isso em meio a referências nostálgicas dos anos 80, que contrastavam com a realidade dos telespectadores ao retratar uma vida mais analógica, focada no presente, na amizade e na família.
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Foto: Stranger Things - Netflix |
Essa jornada de mais de nove anos chegou ao fim no dia 31 de dezembro de 2025, com um episódio final de mais de duas horas de duração. E serei sincera aqui: Não farei aqui uma análise crítica do episódio final, apontando falhas, furos de roteiro ou perguntas sem respostas. Para mim, o final de Stranger Things trouxe algo diferente: uma despedida não apenas da série, mas também do meu próprio passado.
Quando Stranger Things se tornou um fenômeno em 2016, não assisti de imediato. Achava que era uma história de terror com monstros e sou medrosa com histórias de terror. Mas em 2017 decidi dar uma chance e me vi completamente apegada àqueles personagens tão diferentes, unidos pela amizade e pelos traumas que viviam juntos.
Eu estava na faculdade, no limiar entre a adolescência e a vida adulta, tentando entender o que significava crescer. A série acompanhou tantas mudanças da minha vida que, no belíssimo epílogo, ao ver o crescimento dos personagens, consegui me conectar diretamente com o meu próprio amadurecimento.
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Foto: Stranger Things - Netflix |
Minha temporada favorita é a quarta temporada de Stranger Things, principalmente pelo desenvolvimento do Vecna e pela forma como ele atacava suas vítimas através de traumas e questões mentais. Sua narrativa era facilmente identificável com conflitos internos que todos nós enfrentamos.
Sabia que seria difícil superar uma temporada tão intensa. A quinta temporada teve altos e baixos, mas ficou claro que os irmãos Duffer não queriam repetir a urgência da anterior. O plano de Vecna já havia sido concluído, e a última temporada tinha outro propósito: o de encerramento de ciclos dos personagens e suas relações com sensibilidade e respeito. Tivemos o luto de Dustin pela morte de Eddie; a reconciliação da amizade entre Dustin e Steve; o término de Nancy e Jonathan para descobrirem quem realmente eram; o entendimento de Hopper e Joyce sobre paternidade e maternidade; Hopper aprendendo a deixar Eleven tomar suas próprias decisões; a relação familiar dos Wheeler, o relacionamento de Max e Lucas; a aceitação de Will sobre quem ele é; o amadurecimento de Mike; o crescimento de Eleven, não apenas como heroína, mas em suas escolhas.
Todas essas jornadas, iniciadas na primeira temporada, foram encerradas com cuidado, sempre destacando a força das amizades e dos laços familiares. Stranger Things nunca foi apenas sobre monstros, mas sobre jornadas pessoais e personagens profundamente relacionáveis.
O último episódio, com mais de duas horas de duração, conseguiu concluir a história de forma coerente com tudo o que foi construído ao longo das temporadas, com apenas mortes necessárias e todo o grupo unido para enfrentar o final (apesar de ter alguns furos e perguntas sem respostas). E quando achamos que tudo havia terminado, fomos presenteados com um epílogo de quase 40 minutos.
Vimos os personagens seguindo em frente após um ano e meio da batalha final:
o encontro de Max e Lucas no cinema, o encontro de Hopper e Joyce no Joe’s com um pedido de casamento, a formatura das “crianças” com um discurso emocionante de Dustin sobre a infância perdida e os traumas que os uniram, Steve feliz como treinador de baseball, o quarteto dos “adolescentes” entrando na vida adulta e o momento mais emocionante de todos: assim como no início, os meninos (junto com a Max dessa vez) jogando D&D pela última vez e se despedindo daquela fase de suas vidas.
Foi isso que a última temporada representou: um adeus.
Um adeus às crianças que perderam a infância, aos adolescentes que precisaram crescer rápido demais, aos adultos que acreditaram em seus filhos no meio dessa história sobrenatural e, principalmente, ao público que acompanhou essa história por quase uma década. Nós também não somos mais os mesmos desde que visitamos Hawkins pela primeira vez.


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